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Comunidade On-line Phos Psi

  • blogcyzo
  • 17 de mai.
  • 4 min de leitura

Minha fala na abertura da Comunidade On-line Phos Psi

às 20h do dia 10.05.2026 via o ZOOM.


A primeira chama 🔥


Boa noite, gente querida e muito bem vindas e bem vindos!


Antes de qualquer explicação, antes de qualquer palavra bem-arrumada, eu quero só olhar para vocês. Mesmo que seja através de uma tela num domingo à noite, no dia das mães. Vocês apareceram. E isso, pra mim, já diz muita coisa.


Aparecer é um gesto pequeno que carrega um peso grande.

Num tempo em que tudo disputa nossa atenção, nossa energia, nossa presença, parar e entrar num espaço de escuta, virou, de certa forma, um ato de resistência. Silencioso, mas real. Então obrigado. De verdade e de coração!


Tem gente aqui que me encontra no Threads todo dia. Tem gente que já atravessou comigo partes muito íntimas da própria vida no espaço da clínica. Tem amigos que a correria foi afastando e que talvez estejam encontrando aqui uma forma bonita de reencontro. E tem gente que eu ainda não conheço, mas que decidiu aparecer assim mesmo. Amo conhecer novas pessoas e sou daqueles que gosta de gente.


Tudo isso me emociona de um jeito que não sei bem nomear.

Porque esta comunidade não nasceu de um plano. Não tem estratégia por trás, não tem produto para vender, não tem roteiro de crescimento. Eu fui para o Threads sendo apenas o que sou: alguém que há muitos anos escuta dores humanas, alegrias humanas, silêncios humanos, e que decidiu um dia dividir isso com o mundo de um jeito mais simples, mais vivo. Passei apenas a postar conteúdo da área de psicanálise, mindfulness e mini reflexões que de alguma forma toca a alma. Isso aos poucos foi agregando muitas pessoas e minha página lá continua em crescimento. Lá, a minha DM da página se tornou um canal de escuta. Não fui lá para buscar números, fui tão somente para compartilhar uma voz que é pacífica a valoriza a alteridade.


E então algo começou a acontecer.

As pessoas foram chegando. Mas não chegavam atrás de fórmulas nem de frases bonitas de segunda-feira. Chegavam dizendo, com palavras diferentes mas com o mesmo fundo:

"Eu queria conversar, Cyzo." "Eu me sinto sozinho/a." "Cyzo, eu sinto falta de espaços verdadeiros e que traz sentido."


E aí fui entendendo uma coisa:

talvez muitas pessoas hoje não estejam precisando de mais respostas. Talvez estejam precisando apenas de presença. Freud, lá no início do século passado, escreveu que "a voz da razão é fraca, mas não descansa enquanto não for ouvida." (Freud, O futuro de uma ilusão). Eu gosto de pensar que o mesmo vale para a alma. Ela é discreta. Não grita. Mas insiste. E quando encontra um lugar onde pode falar, algo muda.


Porque vivemos uma época curiosa e, ao mesmo tempo, dolorosa. Nunca estivemos tão conectados e tão emocionalmente órfãos ao mesmo tempo. Tem muita informação e pouca intimidade. Muito desempenho e pouca verdade. Muito barulho e pouca escuta que chegue fundo.


Byung-Chul Han - filósofo sul-coreano radicado na Alemanha - fala da sociedade do cansaço. Outros falam da ansiedade, da solidão, do vazio contemporâneo. Eu, há anos, venho pensando numa espécie de orfandade emocional do nosso tempo. Muita gente vive cercada de gente e ainda assim profundamente só.


Algo também mudou no mundo online nos últimos anos. As plataformas foram percebendo que as pessoas não queriam apenas consumir conteúdo, elas queriam pertencer a algo. O Telegram foi pioneiro nisso. Depois vieram o WhatsApp com suas comunidades, o Instagram com seus grupos fechados. E hoje a Internet está tomada por comunidades: são centenas, milhares delas. A maioria com objetivo comercial, segmentar público, vender produto, fidelizar cliente. É legítimo, claro.


Ao mesmo tempo, psicólogos, psicanalistas, psiquiatras e terapeutas de diferentes abordagens também foram migrando para esse formato, percebendo nele uma possibilidade de cuidado coletivo. E quando eu olhei para esse movimento, algo ressoou fundo em mim. Porque eu sempre trabalhei com grupos. Sempre me fascinou o humano no coletivo, a clínica de grupo, o trabalho comunitário, o social que também é, na sua essência, comunitário. Então, quando percebi que esse formato estava disponível, que a tecnologia finalmente permitia reunir pessoas ao redor de algo com sentido, não resisti. Fui construindo, aos pouquinhos e sem pressa, este espaço. Não para vender nada. Mas porque acredito e a vida me ensinou isso, que o humano se cura, se fortalece e se encontra melhor quando está em comunidade. Há alguns anos nosso lema do nosso grupo de terapia On-lie tem sido: “Quando estamos juntos, levantamos uns aos outros”.


E talvez por isso este espaço faça sentido na atualidade.

A Comunidade Phos Psi não nasceu para ser palco. Não nasceu para disputas, performances emocionais ou felicidade enlatada. Nasceu para ser uma fogueira pequena no meio do inverno emocional que tanta gente atravessa. Um lugar onde ainda seja possível conversar sem precisar estar bem o tempo inteiro, sem precisar parecer forte, inteligente, resolvido. Apenas ser como se é.


Aqui vamos falar de medo, vínculo, solidão, envelhecimento, família, diversidade, cansaço, espiritualidade e pertencimento. Mas também de beleza, humor, arte, leveza e esperança. Da delicada arte de continuar humano sem endurecer completamente.


A psicanálise vai estar aqui não como academia fria, mas como forma de escuta. O mindfulness também, em pequenas práticas de atenção e presença. Mas acima de tudo, o que queremos construir é humanidade compartilhada.


PHOS, em grego, é LUZ. Mas não a luz dos holofotes. Não a luz da vaidade ou da performance. Phos nos lembra a luz calma das lamparinas antigas. Uma luz que não grita. Uma luz que acolhe e que não confunde quando é dia ou noite. Suficiente para iluminar a varanda durante a noite sem ferir os olhos e sem fatigar a mente.


É isso que esta Comunidade On-line quer ser.

Hoje estamos acendendo a primeira chama. Ainda pequena. Ainda aprendendo a existir. Mas eu acredito que ambientes humanos aquecem vidas humanas, e talvez seja disso que muitos de nós estejamos precisando agora.

Menos vitrine e mais varanda. Menos personagem e mais prosa. Mais escuta. Mais silêncio fértil. Mais alma viva.


Porque, talvez a cura de muita coisa comece exatamente assim: quando alguém finalmente encontra um lugar onde pode descansar um pouco da solidão do mundo. Obrigado por terem chegado.


Sintam-se acolhidos. Sintam-se em casa. Com afeto, Cyzo Assis



 
 
 

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